Fim da guerra do Vietnã - 35 anos
Lembrando de minha infância, quando ficava ouvindo a rádio "A voz da América" e seus boletins diários sobre o andamento da guerra naquelas terras distantes que eu nem imaginava onde seria.
O que me chamava a atenção era a descrição das batalhas, o número de mortos, os avanços, a inevitável vitória dos americanos, segundo a versão deles.
Palavras como Delta do Meckong, Trilha de Ho Chi Min, Vietkong, eram familiares apesar de soarem totalmente fora da realidade em que vivíamos então, um mundo sem TV ou Internet em que o rádio era a ligação com o mundo exterior.
Minha surpresa foi enorme, afinal eu ficava ouvindo os relatos e torcendo para os americanos, quando os correspondentes de guerra, direto de Saigon, anunciaram a retirada das tropas americanas. Nunca havia entendido porque de uma hora para outra resolveram sair de lá, se tudo que a gente ouvia eram relatos vitórias. Durante muitos anos, mesmo na imprensa brasileira a questão da derrota humilhante dos gringos sempre foi um tabu, ninguém dizia com todas as letras que eles haviam sido derrotados pelos "comunistas" do Vietnam do Norte.
E lá se vão 35 anos, os Estados Unidos já se meteram em uma dúzia de guerras desde então, mas o significado desta foi certamente o mais marcante. O povo vietnamita venceu a maior potência do planeta, não por serem mais fortes, mas simplesmente porque eles tinham um significado para a luta, enquanto os soldados americanos, na maioria negros e hispânicos, eram mandados pra guerra para serem "buchas de canhão", lutar uma guerra que não era deles, e no final isto fez toda a diferença.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente aqui. Se eu não gostar, não publico.